Mulheres fazem manifestação pela saída do presidente do Indea MT — Foto: Arquivo Pessoal

Cerca de 50 mulheres que fazem parte do movimento “Até Quando?” realizaram uma manifestação na manhã desta segunda-feira (18) contra a atitude do governo estadual em manter no cargo o presidente do Indea Marcos Catão Dornelas Vilaça, denunciado por uma ex-servidora da pasta que afirmou ter sido assediada sexualmente por ele.

Para a empresária Flávia Costa, uma das organizadoras da manifestação, é lamentável que o governador Mauro Mendes (DEM) e que o vice-governador Otaviano Pivetta, mantenham Marcos Catão no cargo.

O governo não se posicionou quanto à manifestação.

A manifestação surgiu do grupo “Mulheres MT”, e conta também com uma série de vídeos com o tema “Até quando?”.

“Nós tivemos quase 50 mulheres na manifestação, embora o grupo de WhatsApp possua mais de 100 mulheres que nos apoiaram com álcool em gel, máscara, camisetas e divulgação em suas redes sociais. Lamentamos a postura do governador e do vice-governador em mantê-lo do cargo; bem como a insistência do senhor Otaviano Pivetta em defender o senhor Catão, o qual foi indicado ao cargo pelo mesmo”, disse ela.

Flávia ainda destacou a publicação no Diário Oficial que circula nesta segunda-feira em que o governo designa que a servidora Emanuele Gonçalina de Almeida responda interinamente pelo cargo de presidente do Indea pelo prazo de 10 dias.

“A publicação do Diário Oficial de hoje é um insulto a todas as mulheres e servidoras públicas”, afirmou a empresária.

Até Quando?

Trata-se de um movimento pacífico e silencioso à favor das inúmeras vítimas de assédio sexual ou qualquer violência contra a mulher, que é desacreditada, julgada; virando piada em grupos de WhatsApp e redes sociais.

Até quando homens se julgarão no direito de subjugar uma mulher?

Até quando eles poderão fazer tudo o que quiserem conosco e responderem em liberdade?

Até quando ostentarão suas tornozeleiras eletrônicas como sinal de virilidade?

Até quando?

O caso

A vítima, de 19 anos, hoje ex-servidora do estado, atuou como assessora do presidente por sete meses. Um boletim de ocorrência foi registrado no dia 16 de novembro na Polícia Civil de Cuiabá, que investiga o caso.

De acordo com a vítima, ela era responsável por auxiliar o presidente, servir café e outras atividades da função dela.

No dia 12 de novembro, a ex-assessora relatou que entrou na sala do presidente para repor garrafas de água e que passou a ser assediada. Catão teria dito que ‘ela não precisava ficar de máscara na sala’.

Em seguida ele teria massageado o órgão sexual dele sobre a calça, olhando para a vítima.

A jovem relatou, em depoimento, que ficou em choque, mas mesmo assim trabalhou no dia seguinte. Ela decidiu contar sobre o episódio à família dela, que a aconselhou a pedir desligamento do Indea e registrar boletim de ocorrência.

A exoneração da servidora foi feita no dia 16 de novembro e publicada no dia 24 de novembro no Diário Oficial do Estado (DOE).

Fonte: G1