O trecho do rio Cuiabá que compreende a região do Manso (100 KM de Cuiabá), e a Passagem da Conceição, em Várzea Grande, na região Metropolitana, pode ganhar 6 novas hidrelétricas. A informação é do deputado estadual Wilson Santos (PSDB), e foi revelada durante uma entrevista ao programa Resumo do Dia da última segunda-feira (2).

Wilson Santos explicou, em tom de crítica, que 6 licenças ambientais para a instalação de hidrelétricas estão em fase de “finalização” na Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). Ele sugeriu que o impacto dos projetos na vida dos peixes do rio Cuiabá pode ser desastroso.

“Aqui na Sema esta sendo finalizada a liberação de 6 licenças de hidrelétricas no rio Cuiabá – do Manso à passagem da Conceição. Então nós podemos ter 6 novas usinas hidrelétricas num trecho pequenininho. Que peixe sobrevive a isso?”, indagou Santos.

Nesse sentido, Wilson Santos analisou que a energia solar pode ser uma das alternativas para a Baixada Cuiabana. Ele contou que audiências públicas para discutir o assunto devem ser realizadas em diversas regiões do Estado nos próximos meses.

“E em relação a energia o caminho nosso é a energia solar. Uma energia inteligente. Temos agora audiência em Poconé, vamos fazer também em Rosário Oeste, tem audiência marcada para o dia 12 em Cáceres, em São Félix do Araguaia. Os deputados estão correndo o Estado para ouvir todos os atores”.

COTA ZERO

O deputado estadual também comentou sobre o projeto “Cota Zero”. De autoria do Poder Executivo, ele limita em até 150 quilos a quantidade de peixes pescados por semana, por pescador, porém, os animais não poderão ser transportados, devendo ser consumidos no próprio local da pesca. A restrição valeria por 5 anos e atinge todos os rios de Mato Grosso. Ela é vista por alguns setores da sociedade como fruto do lobby de indústrias frigoríficas de pescados – fato que limitaria a estas empresas a aquisição dos peixes.

Wilson Santos, porém, analisou que se o objetivo é “salvar” o rio Cuiabá, como o Governo do Estado vem apresentando o projeto, então a discussão também deve contemplar o despejo de esgoto nas águas, o assoreamento, o desmatamento e outras circunstâncias que degradam o meio ambiente – incluindo os rios.

“Ninguém é contra salvar o Rio. Todos são a favor de que tenhamos um Rio saudável. Mas o que os pescadores, os empresários do setor de hotelaria, e postos de combustíveis, de casas de caça e pesca reclamam, é de que os principais destruidores do rio não estão sendo combatidos. Que é o esgoto, o assoreamento, que é a draga que durante a piracema suga os peixes pequenos, que é o desmatamento, que é o excesso de usinas hidrelétricas”.

Fonte: Folhamax