Bruno Kelly / Reuters

A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) pode decidir nos próximos dias se anula ou não as eleições internas, realizadas no dia 8 de setembro em Mato Grosso. Isso porque há denúncias de que o processo tenha sido fraudado na cidade de Terra Nova do Norte (643 km de Cuiabá).

Bruno Kelly / Reuters

O caso, que começou com uma denúncia de centralização e pequenas irregularidades, já virou caso de polícia, com Boletim de Ocorrências registrado por um servidor do Poder Judiciário que teve o nome incluído na lista de votantes sem ser filiado ao partido. A denúncia atinge Claudemir Barranco, presidente do partido na cidade.

A primeira denúncia é assinada pelo advogado Paulo Lemos, que atuou como fiscal de uma das chapas. Ele afirma que Claudemir e sua esposa atuaram como mesários do processo. O estranho, segundo ele, é que Barranco disputou a reeleição e sua esposa não é filiada ao partido.

O advogado também afirma que, no horário de almoço, descobriu que estava acontecendo eleição para o diretório estadual em sua cidade, Matupá (681 km de Cuiabá). A cidade, porém, não deveria ter eleições estaduais. Lá, após as urnas apuradas, constatou-se que 100% dos votos foram destinados a uma única chapa, o que, para o advogado, seria praticamente impossível.

Na denúncia, o advogado ainda afirma que há denúncia de boca de urna contra Claudemir.

Com a divulgação das listas de votantes, outro indício de fraude foi identificado. Acontece que pessoas que não foram votar no dia tiveram seus nomes incluídos nas listas, inclusive com assinaturas supostamente fraudadas.

Uma delas, a dona da assinatura estava em viagem internacional e precisou se manifestar ao partido por meio de carta, com cópia de seu passaporte e fotos de sua viagem para comprovar que realmente não participou do processo.

Outra vítima é um servidor do Poder Judiciário. Ele já foi filiado ao partido, mas deixou a sigla porque não é permitido que servidores do Judiciário tenham filiação partidária. O servidor precisou registrar Boletim de Ocorrências.

Agora, dia 1º de outubro, representantes de uma das chapas, a “Somos Todos PT 450”, encaminhou requerimento à Executiva Nacional requisitando a anulação de todo o processo realizado em Mato Grosso, além de solicitar a juntada de provas de Terra Nova do Norte.

Nesse requerimento, eles pedem a realização de perícia grafotécnica de toda a lista de votantes da cidade e uma auditoria nas listas dos votantes de todos os municípios.

No documento, a “Somos Todos PT 450” chega a citar o Código Penal pela falsificação de documentos e afirma que vários filiados já pensam em deixar o partido. O requerimento é assinado por Girlene A. Ramos, James Frank Mendes Cabral e Robinson Cireia Oliveira.

BRIGA DE GRANDES

Caso comprovadas as suspeitas, o PT deve sair ainda mais manchado desse episódio. Marcado pelos diversos escândalos de corrupção, o partido está no alvo das críticas e de uma perseguição, cujos indícios de sua existência têm sido revelados pelo site The Intercept.

Em Mato Grosso, essa pode representar uma briga de grandes. Claudemir Barranco, que está no “olho do furacão”, é irmão do deputado estadual e presidente estadual do partido, Valdir Barranco.

James Frank, que assina o requerimento, por sua vez, é irmão do deputado estadual Lúdio Cabral, principal liderança do PT atualmente. Ambos os deputados se abraçam e trocam elogios em público. Embora neguem qualquer desentendimento e desrespeito, as conversas de bastidores, que podem ser verdadeiras ou não, comentam sobre uma forte disputa pelo poder.

Fonte: O Estado de Mato Grosso